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‘Amor que não acaba...’, por Cassi Bender

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O que você faria para salvar a vida de uma pessoa que ama? O que você faria se descobrisse que ela depende de algo muito importante para sobreviver? O que você faria se não tivesse opção para salvá-la? Na maioria dos casos, você responderia que daria um jeito não é... eu também diria isso.

Na última semana assisti um documentário super emocionante no site do Zero Hora, intitulado “Uma vida para Ana Luiza”. Não vou negar que fiquei com o coração na mão do começo ao fim. Uma história onde uma criança ativa, no dia em que completava 3 anos descobriu que estava com uma grave doença, e teve que mudar sua rotina, seus dias, seus momentos, ou seja, teve que transformar sua vida.

Ana Luiza descobriu que tinha Aplasia Medular, uma doença onde a medula deixa de produzir células do sangue, e a única forma de cura era o transplante, porém, ninguém da família nem outros doadores eram 100% compatíveis com ela, e isso foi uma notícia que causou muita dor na família toda, os pais ficaram desnorteados, sem saber o que fazer.

Depois da descoberta, as idas e vindas da família do hospital para casa, e de casa para o hospital foram constantes. Ana Luiza já não podia mais ir à escola, brincar com os amigos, nem sequer pular porque qualquer tombo poderia ser um risco à sua saúde. E assim, por um longo tempo essa rotina se repetiu inúmeras vezes, até que um dia os pais de Ana Luiza ouviram uma conversa sobre o nascimento do primeiro bebê programado do Brasil, por seleção de embriões, para servir de doador em um transplante de medula. Estava aí a solução para o problema de Ana... um irmão ou irmã que seria 100% compatível.

Decidiram que fariam a mesma coisa, foram em busca de uma clínica que realizasse o processo, e isso foi feito. A espera foi angustiante, pois estava programado que o procedimento de coleta das células para o transplante seria no dia que o bebê nascesse. Então Antônia nasceu... porém prematura, e não foi possível realizar o procedimento. A espera aumentou para mais um ano.

No final de 2014, já com a saúde bem debilitada, foi realizado o procedimento, e as duas passam bem. A vida da Ana Luiza voltou ‘quase’ ao normal, até porque ela não está realmente curada. A medula pode em muitas vezes rejeitar o novo organismo, e por isso, é preciso aguardar ainda um bom tempo.

Pois bem, é uma bela história, não? Mas aí que entra a pergunta que fiz no início deste texto: ‘O que você faria para salvar a vida de uma pessoa que ama?’. Neste caso, um novo ser humano foi planejado para salvar outro. E isso gera muitas opiniões controversas, inclusive do meio médico, que diz ser falta de ética ‘projetar’ um bebê que já tem um destino definido assim que nascer. Mas isso não é arquitetura, não é o simples fato de ter uma criança, e depois pô-la para escanteio. Isso é amor, um gesto que nem todos seriam capazes de ter.

Acredito que o amor é algo que não acaba, que não cessa. Vale a pena lutar para ter quem você ama bem, independente da situação. É possível buscar formas e soluções para onde se quer chegar. Sabemos que em diversos momentos é quase impossível, mas o ‘quase’ pode sim se tornar um nada diante do amor.

Para finalizar, quero deixar uma informação que pode fazer toda a diferença. Sabe qual a sua chance de um dia encontrar um doador de medula caso precisar? MÍNIMA, independente de sua cor, raça, religião... O que se pode dizer é que no banco de medula a maioria é de pessoas brancas, e foi por esse motivo que Ana Luiza teve ainda mais dificuldade para encontrar uma medula. A miscigenação de raças faz com que sejamos todos muito diferentes, por isso, conscientize-se. Seja um doador. Informe-se. Um dia você também pode precisar.