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Notícias &... Cassiane Dill

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Polêmica: discussão sobre questão que causa divergência; controvérsia; contrário de entendimento, convergência; debater ideias.

Você deve estar se perguntando porque iniciei meu Notícias essa semana com essa definição da palavra polêmica.

Mas há um propósito para isso. Há algumas semanas recebi um desafio: dissertar sobre um assunto polêmico, retratando minha opinião e argumentando sobre a mesma. Pois bem, esse desafio foi lançado pelo meu professor de Cultura Religiosa, Pastor Evandro; como muitos sabem, sou acadêmica de Administração na Universidade Luterana do Brasil – ULBRA Carazinho, e por ser luterana, temos essa disciplina que retrata um pouco sobre as diferentes religiões existentes.

Então, o assunto que eu escolhi para é a eutanásia. Uma questão muito debatida entre cientistas, religiosos e familiares.

Definição de eutanásia: qualquer ato cometido ou omitido de causar ou acelerar a morte de um ser humano após o seu nascimento, com o propósito de pôr fim ao sofrimento de alguém.

Em busca de argumentos para criar um artigo “de fundamento” sobre esse tema, encontrei uma manchete do jornal Zero Hora on-line, na edição do dia 18 de maio deste ano. O título era esse: Mulher que motivou debate sobre eutanásia na Índia morre após 42 anos em coma.

A mulher em questão é Aruna Shanbaug, de 66 anos, que estava em estado vegetativo desde que foi estrangulada e estuprada. Uma amiga sua, em busca do “término” do sofrimento, solicitou ao Supremo Tribunal Federal da Índia o desligamento dos equipamentos que mantinha Aruna viva. Mas essa prática não foi autorizada pelo fato da amiga não possuir vínculo familiar com a paciente.

Lendo essa matéria me questiono: é vida estar 42 anos em coma? Sem ter consciência do que acontece ao seu redor? Sem reconhecer familiares e amigos?

Quando falece um ente querido, que estava doente e sofrendo por alguma doença ou acidente, ouvimos muito a expressão: “Ele não faleceu, ele descansou”. Seria mesmo essa definição de morte? No caso da eutanásia, nos colocamos do lado do paciente, que sofre sem ter a esperança de que aquilo um dia acabe. Em alguns países a eutanásia é autorizada, desde que seja comprovada que não há mais expectativa de cura para o paciente.

Mas será que se acontecesse isso com uma pessoa próxima a nós, deixaríamos desligar os equipamentos que mantem nosso ente querido vivo? É algo bem complicado de expor. Qual seria o sofrimento maior: ver a dor do paciente, e saber que não há mais esperança de melhora ou ver o ente querido partindo, de forma silenciosa?

Não há como relatar algo sobre isso, cada situação é única. Cada pessoa é única. Creio que tudo há um propósito. Se a “vida” de Aruna fosse interrompida há anos atrás, será que ela seria reconhecida mundialmente na luta pela liberação da eutanásia? Certamente que não. Quantas pessoas também estão em coma, sofrendo, sem poder aproveitar a sua existência, sem aproveitar os melhores e os piores momentos de aprendizagem.

Aruna faleceu com 66 anos e há 42 estava em coma, ou seja, aproveitou somente 24 anos, e nem se quer lembrava do que descobriu. Será que isso é vida? Se o paciente soubesse da sua situação, qual seria sua escolha? Perguntas definitivamente sem respostas.

Como defini no começo, eutanásia gera divergências, controvérsias. Não há argumentos que consolide uma opinião concisa. Apenas torcer para que nunca necessitamos escolher entre a vida e a morte.

Notícias &... Cassiane Dill publicado no Jornal ABCNotícias do dia 19 de junho de 2015