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Notícias &... Cassiane Dill 26/02

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Há alguns dias, uma discussão tomou conta do mundo artístico. Uma discussão um tanto quanto presunçosa e (combinamos), bem necessária.

Foram publicadas matérias nos principais sites de entretenimento, dos quase R$ 356 mil captados do Ministério da Cultura, para a publicação da biografia da cantora Cláudia Leitte, através da Lei Rouanet.

A Lei Rouanet ou Lei Federal de Incentivo à Cultura institui políticas públicas para a cultura nacional. Sua base é a promoção, proteção e valorização das expressões culturais nacionais. O grande destaque dessa lei é a política de incentivos fiscais que possibilita as empresas e cidadãos aplicarem uma parte do imposto de renda em ações culturais.

Até aí, tudo bem. Utilizar parte dos impostos para apoiar a cultura. Mas desde quando biografia da Cláudia Leitte seria cultura? Ok, concordo que ela é uma das maiores cantoras brasileiras, tem fama nacional e internacional. E isso basta para arrecadar quase meio milhão de reais? Poxa, qual conceito de cultura é esse?

Claro que depois de tanta repercussão, a Claudinha – como é chamada pelos seus fãs – desistiu de publicar o livro, e creio que ficou “bem queimada” com a população. Dando uma olhada nos sites que noticiaram essa “sacanagem cultural”, os comentários de internautas são os mais diversos.

Algumas frases resumem o sentimento do povo brasileiro – ou parte dele: “O que a Cláudia Leitte tem para mostrar a mais que as revistas de fofoca de R$ 1,99 já não tenham mostrado?”; “Uma cantora podre de rica querendo meter a mão no dinheiro público!”. Mas, e tudo isso não é verdade?

O Brasil é um país grande territorialmente e culturalmente.  Cada canto tem sua maneira peculiar de viver e cultuar seus costumes, e por isso, muitos estrangeiros vem passar suas férias por aqui, aproveitando o que de melhor tem nosso país. Mas sinceramente, utilizar o dinheiro do povo para contar a história de uma cantora?  Como dizem “pura bucha”.

Tantos grupos folclóricos, culturais peleando para conseguir recursos para não se extinguirem, buscando verbas para alçar voos mais altos, tirando dinheiro do próprio bolso para não acabar com a cultura do município ou estado, e uma cantora que ganha milhares de reais por mês, ainda precisa do dinheiro do povo?

É quase irônico pensar nisso, mas era isso que quase aconteceu.

Falam tanto em crise, em educação precária, saúde pedindo ajuda, e o Governo ainda faz isso? Brincadeira com o povo. Mas vamos pensar que dos males o menor. Cláudia teve ainda um pouco de bom senso e perceber a “burrada” que iria fazer. Talvez os fãs adoraram a ideia de um livro da sua musa, mas muitos ficaram de cara virada quando souberam desse episódio.

Se ela irá publicar não tem importância, mas que não seja com o dinheiro do povo. Talvez não tenha sido essa a intenção da cantora. Mas culturalmente falando, não iria agregar nada na vida dos brasileiros. Se seria sucesso de venda ou não, não tem como saber. Mas talvez assim o povo começou a perceber o que acontece com seu dinheiro. E como já é conhecido: A voz do povo é a voz de Deus.