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Líder, um desentupidor de pias – Eloy Scheibe

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Inicio o raciocínio parafraseando João Gabriel de Lima, diretor de redação da revista Época, que cita o historiador Evaldo Cabral de Mello que definiu os governantes como “desentupidores de pias” e comparou a liderança com a sujeira que se acumula, aos poucos, obstruindo o cano onde antes a água fluía livremente. De que de tempos em tempos acaba aparecendo, segundo Mello, um “desentupidor destas pias”, que seriam os líderes capazes de remover esta sujeira política, permitindo a água fluir novamente sem obstáculos.

Estamos carecas de saber que o Brasil vive uma grande crise de lideranças. Não vou nem citar os líderes do passado, pois certamente cada brasileiro tem os seus. Aqueles que trabalhavam pelo povo e para o povo. Hoje já sabemos como e para quem trabalham. Aí pergunto: então regredimos? Certamente que sim. Vivemos tempos de “jeitinho brasileiro” e de “venha a nós o vosso reino”. Outra pergunta: todos os políticos são corruptos, respondo que não. Mas certamente há muitos aproveitadores do dinheiro do povo e das mais diferentes formas. Infelizmente nossos governos não conseguem caber dentro da arrecadação. Extrapolam gastos e voltam a criar novos impostos para não precisar encolher o poder. Uma vergonha.

Isso faz encolher o surgimento de novos líderes? Certamente que sim. Grande parte dos velhos políticos se reelege para os velhos cargos e continuam a sugar o leitinho gostoso das tetas do governo. Ou do Legislativo e do Judiciário, também cheio de vícios, que nada em águas que não são as do povo. Achar candidatos para vereador se tornou um verdadeiro sacrilégio para os partidos. A cota de vagas destinadas para mulheres muitas vezes são preenchidas por laranjas que emprestam o nome. Cabos eleitorais existem apenas quando enxergam alguma vantagem caso seu candidato for eleito.

Isso reflete nas pequenas sociedades das comunidades? Certamente sim. Vemos muitas das entidades que ainda subsistem acéfalas, ou carregadas por heróis, que por idealismo carregam o piano e fazem a diferença apenas para não deixar sucumbir entidades que antepassados construíram e que agora padecem. Capelas, clubes de futebol, de bolão, de mães, entidades culturais, além de outras, vivem à míngua por falta de líderes dispostos a fazer o dever de casa.

O que será do futuro? Sinceramente vislumbro muito mais dificuldades ainda, não há luz no fim do túnel. Os desentupidores de pia estão muito escassos. Fatalmente em crise. 

Coluna Eloy publicada no Jornal ABCNotícias do dia 2 de outubro.