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Filme: Cavalo de Guerra

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Cavalo de Guerra conta à saga de Joey, um potro que, desde o primeiro momento de vida, é observado e amado pelo jovem Albert Narracott (Jeremy Irvine), um humilde filho de agricultor da Inglaterra pré Primeira Guerra Mundial. Após adquirir o animal em um leilão feito na base do orgulho e inimizade entre senhorio e locatário, o pai de Albert, Ted (Peter Mullan), acaba arrematando o animal apenas por capricho, uma vez que ele não queria perder a aposta de compra para Lyons (David Thewlis), o homem de quem ele aluga a casa e as terras de onde tira sua subsistência.

Joey é aquilo que poderíamos chamar um espírito selvagem. O potencial do animal não passa despercebido a Tedd Narracott, que arrisca tudo o que tem para comprar o cavalo, mesmo percebendo que muito trabalho teria de ser feito para que Joey conseguisse ser um bom contributo para o trabalho no campo.

Cabe ao seu filho a tarefa de treinar Joey para o trabalho agrícola. Um processo que se revela complicado mas compensador. Uma forte ligação cresce entre o rapaz e o cavalo, transformando-os numa equipe imparável, capaz dos mais inimagináveis feitos que conseguem deixar boquiabertos os mais céticos.

As circunstâncias difíceis da vida forçam Tedd a vender o cavalo, mesmo contra a vontade do filho. A guerra contra a Alemanha inicia-se e Joey torna-se parceiro do Capitão Nicholls nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. A partir daí vamos acompanhando as várias histórias em que o animal acaba por tomar um papel importante.

O filme poderia ser dividido em duas partes, igualmente ricas e belas. A primeira parte conta todo o processo de educação de Joey e a luta da família Narracott contra a perda de sua terra. Uma introdução leve, apesar de algumas situações mais tristes, que conta com utilização de um humor situacional interessante de acompanhar.

A história começa e se desenvolve, por quase metade do filme, em terras inglesas antes da 1ª Guerra Mundial eclodir. Nesta primeira parte, a mãe do protagonista, Rose, tenta mostrar para o filho que o pai dele não é apenas um bêbado, mas também um homem honrado que voltou atormentado da guerra da África. O filho acaba aprendendo a lição, mas muito tempo mais tarde, quando vive na própria pele as dificuldades e absurdos de uma guerra.

A outra metade do filme é ambientada em terrenos de conflito, no embate entre ingleses e alemães na França, entre 1914 e 1918. Contudo, a grande beleza do filme dá-se no percurso de Joey pela guerra, nas duas frentes de batalha. Spielberg nos dá uma visão forte e crua do primeiro conflito mundial, com histórias que se vão misturando e que acabam por traçar o impacto da luta no cotidiano. Mais do que simplesmente a história do percurso de Joey, Cavalo de Guerra acaba por ser também o reflexo das consequências que a guerra foi trazendo à vidas das personagens, interpretadas com um alto nível de qualidade. Acompanhamos o árduo caminho de Joey em meio a sangue, morte, derrotas e vitórias – sua sobrevivência acaba se tornando algo simbólico, um sinal de esperança.

Elemento fundamental da obra é a direção de fotografia do grande parceiro de Spielberg, Janusz Kaminski. Os dois trabalham juntos desde 1993. A riqueza visual e a composição de planos é algo que não passa despercebida neste filme. Do princípio ao fim, somos confrontados com enquadramentos cuja beleza é automaticamente reconhecida pelo nosso olhar. Oferecendo uma fotografia lindíssima – que emula em certos momentos o sentimento do clássico “… e o Vento Levou” -, com cenas bem talhadas, direção atenciosa, uma imensa produção e trilha sonora de John Willians, “Cavalo de Guerra” merece ser visto.

Spielberg retrata a luta, a morte e o sofrimento de uma forma cuidada e real, optando por ser visualmente explícito em algumas cenas. O arrepio na espinha é complementado por uma reflexão sobre a dimensão do grande conflito mundial ao vermos as cenas de detalhada complexidade emocional que nos traz o realizador.

A história segue o galope de Joey em meio à primeira guerra mundial, sendo que o destino do animal passa por diferentes mãos, diferentes soldados. Esta rotatividade existe exclusivamente para abordar todos os lados do histórico conflito, países envolvidos e tudo mais. Até mesmo a cumplicidade da “terra de ninguém” (famoso campo de batalha entre britânicos, franceses e alemães) foi explorado, gerando aquele que é, sem dúvida nenhuma, um dos seus melhores momentos.

Cavalo de Guerra traz-nos um trabalho que acaba por ser mais do que a vida de um cavalo. O animal é um (excelente) pretexto para se tocar questões como as ligações que estabelecemos na vida, o impacto dos outros no nosso percurso, a vontade de não desistir e o potencial destruidor (mas também construtor) da guerra.

A saga de Joey na Primeira Guerra Mundial serve como fio condutor para apresentação de diversos personagens que, apesar de não serem desenvolvidos pelo roteiro, apresentam-se como alavancas para a trajetória do cavalo ao encontro de seu antigo dono. Um filme sobre a possibilidade do encontro quando tal parece apenas um sonho distante.

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