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Notícias & Joseane Steffens

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É certo que quando nos aproximamos do final do ano o clima se torna mais festivo, ansioso e agitado. Natal e Ano Novo sempre foram datas representativas para a celebração da vida, entretanto, o significado destas datas está se perdendo em meio a coisas fúteis, desprezando as lições que verdadeiramente deveriam perpetuar.

Elementos contraditórios estão sendo infiltrados nas comemorações natalinas. O que é Natal? É o nascimento de Jesus, não? Sim, mas já faz certo tempo, não é? Faz! Mas qual o problema em preservar a data com todos os sentidos? Para os religiosos, Jesus continua atuando na humanidade, como filho de Deus, o Salvador. Sendo assim, transmite sua glória, fazendo-se um de nós. E um de nós não pode se perder, certo?

Atualmente a globalização nos distrai em um mundo totalmente pirotécnico, que se perde entre os presentes e festas que não são mais celebrações, mas sim, verdadeiros encontros que massacram os fígados, isso quando não dilaceram corpos e almas como resultado de festas, que não prezam pela celebração da vida, mas levam a alma dos pecadores à morte, seguido do purgatório.

Quando era criança, o Natal era comemorado na casa dos familiares, quase sempre em uma das avós, alternando em cada ano. Tínhamos belas ceias, o famoso Chester e a mesa recheada. Ríamos juntos por lembrar de travessuras do passado e nos divertíamos com a ansiedade em revelar o presente do amigo secreto, que por muitas vezes vinha com caixas e mais caixas, apenas para aumentar a surpresa.

Sem falar da espera do velho e bom Papai Noel. Esse sim dava o que falar, não é? Quem nunca acreditou na sua existência, só pode que não teve infância. E quantos os que descobriram que ele realmente era utopia e fizeram de conta que não sabiam de nada apenas para continuar no clima singelo que a data significa.

Bom tempo quando enfeitávamos a casa para comemorar, não pensando em ter a casa mais bonita, ou os enfeites mais desejados do que o vizinho. Bela a época que as crianças faziam cartinhas, e com certo receio pediam bolas e bonecas, desconfiadas que de repente o Papai Noel esquecesse ou não teria dinheiro para atender o pedido e trazê-lo do Polo Norte sem que houvesse um possível extravio de carga.

 Lembro-me perfeitamente que em certo ano, minha tia se vestiu de Papai Noel e para eu ganhar meu presente deveria entregar minha chupeta, coisa mais maldosa com uma criança! Que nada! Adorei a estratégia, o problema foi que ela não usou as botas pretas, mas no momento não percebi que eram os pés dela e o Papai Noel ficou conhecido como descalço e a desculpa foi o calor. Passaram-se muitos anos, então fui tocar no assunto e descobri a verdade, pude refletir em como é bom ser criança.

Houve uma época que pais diziam a seus filhos para caçarem os vagalumes ou se comportarem, pois eles eram os vigias do Bom Velhinho, que para confirmar as informações que recebia, se escondia nas plantações de milho perto de casa. Éramos até submissos ao Papai Noel, ele era um argumento para nos comportarmos. Mas sempre dava aquele medo na frase: - “se não se comportar ele virá com uma varinha”.

Atualmente os presentes não são mais simbólicos, não existem mais cartinhas, existe o pedido pelo whatsapp, que na verdade não é um pedido, e sim uma exigência, verdadeira referência ao consumismo. As ceias são fúteis, marcadas pela avareza e pela gula. O ano passa, mas não com a lembrança dos belos fogos de artifício e sim, com a última cena que ficou gravada no subconsciente antes de um coma alcoólico.

Então agora me pergunto, onde guardamos esses valores? Será que já os sepultamos? Natal é Jesus, é paz, amor, tempo de boas novas! Natal expressa a inocência de uma criança, a felicidade de um adulto. Então porque fazemos dele o contrário? Natal pode até não ter a figura viva do Velhinho com sua barba branca e grossa, mas deve ser vivido em gratidão com a família. Pois se você tem família, seja de sangue ou não, você é presenteado todos os dias com a coisa mais valiosa do mundo, e se tem saúde, é a pessoa mais rica do mundo!

O Natal é para todos, é vivido em todas as religiões, em todas as partes do planeta. Ele deve ser celebrado assim como é sua verdadeira essência. Feliz Natal, que possamos entrar no clima “hohoho” e ter um próximo ano que seja próspero e repleto de sonhos. E não se esqueça, diga a sua família que a ama muito, e para qualquer efeito, Papai Noel existe sim, caso contrário não tens uma mente fértil. Abraços da Jose e até a próxima.

Publicado no ABCNotícias do dia 12/12/2014.