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Notícias &... Joseane Paula Steffens

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Já chegamos ao 9° mês do ano e com certa minuciosidade, estamos atentos às várias programações e até incluídos a diversos eventos. O mês de setembro, com certeza remete ao dia 7, Dia da Independência Brasileira. No sul, os olhos e o coração se voltam para outro ângulo, não menos importante, pelo contrário, os eventos alusivos percorrem e encantam o mês de forma ainda mais especial, pois dia 20 é o Dia do Gaúcho.

Vários lugares já acontecem as tradicionais festas farroupilhas, programações campeiras, momentos religiosos conhecidos por “Missas Crioulas”, rodeios, enfim, é uma infinidade de eventos acontecendo em um mesmo período por uma mesma causa. Penso que todos os gaúchos, de todas as partes do Estado, devem se orgulhar e tanto da nossa cultura e, como da nossa história. Quando chega  Setembro, a alma aspira de forma diferente os ares rio-grandenses, pois já é sabido que acontece de forma mais marcante alguns atos em recordação à trajetória do povo gaúcho. Também aparecem os bombachudos de setembro, mas aprendi que isso não importa cada qual tem seu jeito de lembrar, festejar e até mesmo cultivar as tradições. Entendo que aqueles que vestem a pilcha somente no mês de setembro são porque estão entrando no clima. Devemos entender, e quem puder aceitar que atualmente a forma de cultuar alguma coisa é diferente do que há decorridos 50 anos.

As famosas mateadas que acontecem nas praças, os desfiles de cavalarianos com suas bandeiras estendidas à haste ou as suas costas largas, ver as brasas queimando e assando o nosso melhor prato culinário, ver arder a chama do fogo na hora do preparo do mate não tem tamanho nem preço. Assistir crianças declamando e cantando em louvor a sua terra causa-me certa comoção e não seria para menos. Estar presente em rodas de tertúlia, versos gauchescos, apreciar com uma tonalidade diferente as invernadas artísticas que em sua integração têm crianças aprendendo desde pequetuchas as cores da bandeira, os passos da vaneira para que quando chegarem à flor da idade repassar o tradicionalismo para seus filhos, estes para seus netos, bisnetos e para todos os pagos deste Rio Grande a fora.

A cultura gauchesca é a mais preservada e cultuada, temos CTG’s (Centros Tradicionalistas Gaúchos) em vários lugares do Brasil, pois muitos gaúchos moram em Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, tem até CTG na Bahia. A grande maioria vê com exagero a ideia de que a Tradição Gaúcha é invejada pelo Respeito, Orgulho, Patriotismo e até mesmo Xucrismo, mas eu propago essa visão de que somos um povo unido, guerreiro e que pelas cores da bandeira derramaram seu sangue. Faço parte do CTG Porteira Aberta de Nova Boa Vista (minha cidade natal) - o qual teve seu 9° Costelão, evento já tradicional e um dos maiores da região em alusão a comemoração Gauchesca - e gosto dos modos gaúchos pela convivência com meu Avô Paterno, por tempo e com certa arduosidade ensinou-me a lida campeira. Foi dele que ganhei meu primeiro cavalo, o mesmo esteve presente em minhas andanças até o princípio desse ano. Uso bota, bombacha, guaiaca, chapéu e espora, mas também visto saia, vestido e laço no cabelo tudo depende é claro da situação a qual me disponho e tenho dois cavalos o Pingo e o Cigano. Sabe-se e com muito rigor que há meio século, mulheres não podiam vestir bombacha, menos ainda montar sem selim, hoje as formas e costumes mudaram, o sexo feminino não é lembrado apenas pelo acompanhamento de seu marido, pai ou irmão, mas é lembrada e solicitada nas mais diversas atividades do campo, tendo seu destaque para grandes competições como o Freio de Ouro que acontece na Expointer, Rodeios Regionais e Interestaduais. As mulheres Gaúchas têm seu charme, independência e louvor.  “Sou prenda, campeira, sem muitas futilidades e resquícios, mas levo comigo a alma serrana da independência altaneira”. Caros leitores tenham um ótimo fim de semana, um forte abraço. 

Coluna publicada na edição do Jornal ABCNotícias do dia 11 de setembro.