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PREÇO DO LEITE

Pelo 4º mês consecutivo o preço do leite sofreu baixa, balde cheio, bolso vazio.

O atual cenário tem preocupado o setor. O consumo de lácteos só tem sido estimulado com preços baixos nas gôndolas. A queda na ponta final da cadeia, entretanto, não parece ocorrer na mesma intensidade que nos elos anteriores. Varejo e atacado pressionam a indústria para redução nos preços dos derivados e aumento do prazo de pagamento, uma vez que os estoques têm aumentado. As indústrias, por sua vez, têm que lidar com um difícil equilíbrio entre receber de seus clientes, manejar estoques, definir estratégias de processamento que garantam vendas e pagar a matéria-prima. Por isso, também consideram reajustar os prazos de pagamento no campo, arriscando perder produtores no médio prazo.

Já os criadores enfrentam o desafio de manter sua rentabilidade com a receita diminuindo, em um momento decisivo para o planejamento das atividades para o próximo ano. Somado a isso, a recente valorização do milho, atrelada ao aumento dos embarques do cereal, e o atraso do plantio da próxima safra indicam a possibilidade de continuidade de aumento nos preços da matéria-prima e da ração. 

Dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) mostram que o Brasil comprou 86% da produção de leite em pó desnatado uruguaio e 72% do integral, em 2017. Nos primeiros seis meses deste ano, já foram importadas 41.811 toneladas de leite em pó do país vizinho. No total, 36% do comércio de produtos do agronegócio e 25% de todos os produtos comercializados entre os países referem-se a produtos lácteos.

Ao receber a notícia da suspensão, o governo uruguaio se disse surpreso e afirmou que a decisão foi tomada de forma unilateral pelo Brasil. O Uruguai advertiu que a postura do Brasil poderá prejudicar a abertura da União Europeia ao Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi reconheceu que o governo poderia comprar o leite, estocá-lo e vendê-lo quando as condições de mercado estivessem melhores, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mas disse que não há orçamento para isso neste momento. O ministério não tem orçamento. Há uma discussão dentro do MDA (Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário) para que possam alocar alguns recursos ainda neste ano e a gente possa fazer uma compra maciça, enxugando o mercado, isso ajuda bastante.

Afirmou ainda que a pasta não tem recursos para equilibrar o mercado do leite com compras governamentais do produto e que a crise no setor deve ser resolvida com o aumento da demanda quando a economia melhorar. Mas, e quando a economia vai melhorar? Até esse futuro inconstante, muitos produtores deixarão a atividade, que de rentável, passou a ser escrava.  Bom final de semana.