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Pertences de vítimas da boate Kiss são recolhidos e entregues à polícia

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A empresa dona do prédio onde funcionava a boate Kiss, em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, que pegou fogo em janeiro de 2013 causando a morte de 242 pessoas, retirou do prédio os pertences de vítimas que ainda estavam no local. Calçados, roupas e carteiras foram recolhidos e entregues para Polícia Civil.

Os objetos estavam dentro de tonéis, onde foram colocados em dezembro de 2014, quando a boate passou por um processo de limpeza e descontaminação. Agora a Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes (AVTSM) da tragédia aguarda o recebimento de um laudo que vai atestar se os materiais são ou não tóxicos e prejudiciais à saúde para depois decidir o que fazer com os pertences.

Há uma semana, a Justiça determinou que o prédio da boate Kiss fosse devolvido à empresa proprietária do imóvel. A AVTSM contestou a decisão, mas parentes e empresa chegaram a um acordo.

A AVTSM e a Eccon Empreendimentos de Turismo e Hotelaria, dona do imóvel, concordaram em manter o local fechado até o final deste ano. Até lá, a associação tem que decidir se vai comprar o prédio ou se vai buscar junto aos órgãos públicos que o terreno seja desapropriado para a construção de um memorial.

Caso nenhuma dessas opções se concretize, a empresa proprietária do prédio mantém o plano de construir um hotel no terreno onde fica a boate

A determinação do juiz Ulysses Fonseca Louzada, responsável pelo processo criminal relativo à tragédia, também determina que a segurança do local deixe de ser feita pela Brigada Militar. Há três anos e meio policiais militares se revezavam 24 horas por dia para garantir que ninguém entrasse ou depredasse a boate.

Entenda
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, ocorreu na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013. A tragédia matou 242 pessoas, sendo a maioria por asfixia, e deixou mais de 630 feridos. O fogo teve início durante uma apresentação da banda Gurizada Fandangueira e se espalhou rapidamente pela casa noturna, localizada na Rua dos Andradas, 1.925.

Ainda estão em andamento os processos criminais contra oito réus, sendo quatro por homicídio doloso (quando há intenção de matar) e tentativa de homicídio, e os outros quatro por falso testemunho e fraude processual. Os trabalhos estão sendo conduzidos pelo juiz Ulysses Fonseca Louzada.

Entre as pessoas que respondem por homicídio doloso, na modalidade de "dolo eventual", estão os sócios da boate Kiss, Elissandro Spohr (Kiko) e Mauro Hoffmann, além de dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o funcionário Luciano Bonilha Leão. Os quatro chegaram a ser presos nos dias seguintes ao incêndio, mas a Justiça concedeu liberdade provisória a eles em maio de 2013.

Atualmente, o processo criminal ainda está em fase de instrução. Após ouvir mais de 100 pessoas arroladas como vítimas, a Justiça está em fase de recolher depoimentos das testemunhas. As testemunhas de acusação já foram ouvidas e agora são ouvidas as testemunhas de defesa. Os réus serão os últimos a falar. Quando essa fase for finalizada, Louzada deverá fazer a pronúncia, que é considerada uma etapa intermediária do processo.

Fonte: G1