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Em 1968, o empresário Maurício Gehlen, viveu a fase mais difícil de sua vida. “Eu nasci em Sarandi, no Rio Grande do Sul, mas ainda muito pequeno, mudamos para uma cidade vizinha, chamada Chapada. Papai trabalhava como frentista num posto de gasolina. E chegamos praticamente a passar fome naquela época, quando eu tinha uns sete para oito anos”, conta o industrial, que em janeiro deste ano reassumiu a presidência da Associação Comercial e Empresarial de Paranavaí (ACIAP), cargo que já havia ocupado entre os anos de 2000 a 2002 e depois de 2004 a 2006.

Passados 50 anos, inspirado pelas próprias dificuldades a ajudar outros, ele inaugura, no próximo dia 14 de abril, ao lado da esposa, filhos, genro, nora e netos, um Centro de Convivência para Idosos (CCI), que construiu e vai fazer a manutenção com recursos próprios. Para a obra física e a aquisição de equipamentos e mobiliário, o empresário investiu cerca de R$ 5 milhões.

O Centro vai atender gratuitamente cerca de 600 pessoas acima de 60 anos com atividades recreativas, educativas, oficinas e cursos, dentre as quais computação, culinária, artesanato, dança, sala de jogos, vôlei, ginástica, alongamento, pilates, musculação e hidroginástica. Para as caminhadas o empresário construiu uma pista no entorno de um jardim japonês, com flores, árvores e folhagem tradicionais terá um lago com carpas.

“O importante não é o que você investe, mas o retorno social deste investimento. Os nossos idosos querem ser valorizados, se sentirem úteis e se socializar”, diz o empresário.

INFÂNCIA POBRE – Naquela época, o casal Alzeno e Noêmia ficou sabendo que um pequeno restaurante em Sarandi seria fechado. Mesmo sem nenhum recurso, procurou o dono e perguntou se ele não alugava o estabelecimento. O negócio foi fechado e a família voltou para a cidade.

“O Restaurante Estância tinha na frente uma espécie de lanchonete e nos fundos um ambiente para refeições. Ali cabia no máximo umas 20 pessoas”, relembra Gehlen. “Meu pai atendia na lanchonete, minha mãe ficava na cozinha e tinha uma pessoa para ajudar a servir”, conta ele. “E só tinha um quarto. Dormíamos todos – meus pais, minha irmã Beatriz e eu – no mesmo quarto”.

O negócio deu certo. A família estava estabilizada, o risco de passar fome outra vez estava afastado, mas a vida ainda era difícil. “Entre os 11 e 14 anos, depois da escola ajudava papai, era engraxate à tarde e à noite ajudava no restaurante novamente. Depois arrumei uma caixa de isopor e fui vender sorvetes”.

Maurício Gehlen revelou cedo a mesma disposição para os negócios. Assim como seus pais, que confiando apenas na intuição e na força do trabalho arrendou um restaurante, aos 14 anos ele deixou a cidade para ir estudar em Novo Hamburgo e nunca mais voltou.

Formado em Química, logo passou a atuar em indústrias de processamento de mandioca. Quando casou, uma semana depois, teve que viajar por melhoria profissional. “Eu não queria perder oportunidades. E em oito anos acabei mudando de residência nove vezes”, conta Gehlen.

Foi assim que em 1989 chegou a Paranavaí, era consultor de uma indústria, depois teve a sua e finalmente achou um parceiro que aceitou investir numa fórmula de amido modificado de mandioca para pão de queijo. Este amido permitia a produção de pão de queijo sem necessidade de escaldar a massa. O produto não existia no mercado. Hoje a empresa, Podium Alimentos, é a líder nacional deste mercado, dominando 25% dele.

INSTITUTO – Por volta dos anos de 2010 a 2011, Gehlen começou a planejar uma fundação de assistência social. Já participava de várias entidades beneficentes, especialmente as destinadas a atender crianças e adolescentes. Os anos se passaram, a ideia da fundação estava cada vez mais forte e, em 2013, fez uma viagem ao Japão, quando conheceu entidades de atenção ao idoso.

Ficou apaixonado pela ideia e começou a pesquisar o assunto. Descobriu rapidamente que está crescendo o número de idoso no país e que praticamente não há política pública no Brasil para atender este extrato da sociedade.

O que seria uma Fundação se tornou o Instituto Maurício Gehlen (IMG), e a ideia inicial de atender crianças se transformou num centro para idosos. “É até uma forma de homenagear meus pais, que morreram em 2004, num acidente de carro. É uma forma de expressar minha gratidão a eles. Como os perdi e não posso dar atenção a eles, que partiram cedo, farei isto com outros idosos”, diz.

GESTÃO EMPRESARIAL – Como nas empresas, no Centro de Convivência haverá metas. “Mas é uma meta intangível. É dar qualidade e prolongar a vida dos nossos assistidos”, diz ele, acrescentando que o CCI terá uma gestão empresarial. Ele dá dois exemplos: para circular no Centro todos deverão usar crachás, como nas empresas e 42 câmeras vão monitorar o Centro. “Se uma família nos ligar ou vier pessoalmente e precisar falar com um idoso que está aqui, rapidamente vamos encontra-lo. Temos que dar respostas rápidas ás demandas como numa empresa”, diz ele.

Para Maurício, o CCI é “um sonho realizado, que me gratifica muito. É uma sensação de poder manifestar a gratidão por tudo que a vida me deu. E me dá um prazer dizer que é mais uma missão cumprida”.

Fonte: www.norters.com.br