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CHAPADA - Após 36 anos, o reencontro entre mãe e filha

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Já imaginou passar 36 anos sem ver a sua mãe? Ou sem ver sua filha? Não é fácil imaginar uma situação como esta. 36 anos é muito tempo, e é esse o período em que a dona Nardina Borba Dias e a filha Andréia passaram sem se ver. Acompanhe esta história contada pelas protagonistas.

Nardina Borba Dias, tem 78 anos, mora no distrito de Santana, é mãe de 11 filhos, porém somente o mais novo mora com ela. Uma de suas filhas Andréia, foi levada por uma família de Barra Funda para o Rio de Janeiro com 12 anos, sem a autorização e conhecimento de seus pais. No Rio, trabalhava somente por comida em uma churrascaria. Não recebia nada além de alimento. Trabalhava, comia e dormia, ficava trancada onde morava e também não podia estudar.

Andréia ficou nesta churrascaria durante 6 anos e por intermédio de uma amiga foi incentivada a ir atrás de seus direitos, sendo assim, arrumou emprego em outra churrascaria, onde recebia pelo trabalho que realizava.

Andréia sempre teve a esperança de encontrar um de seus irmãos e reencontrar a sua família. Em Itaboraí - RJ conheceu Luciana, sua vizinha, com quem comentava sobre essa vontade de encontrar os familiares, porém, não lembrava do nome de todos os irmãos, alguns nasceram depois que já tinha saído de casa. Mesmo com poucas informações, Luciana iniciou a busca pelos familiares da amiga. Através do facebook pesquisou pelos nomes dos irmãos, João, Miguel, Noeli e Irani Borba Dias, mas não encontrou nada.

Após 15 dias, em uma quarta-feira, Luciana ao deitar-se ouviu uma voz dizendo “é hoje que você deve procurar a família de Andréia”. No facebook Luciana escreveu por ‘Saúde de Palmeira das Missões’. No dia seguinte ligou para os números de telefone que encontrou, porém não caiu no Posto de Saúde de Palmeira, caiu na Prefeitura de Sarandi.

Com os dados de nascimento e filiação de Andréia, Luciana conseguiu através de dados do cadastro que tinha na prefeitura, encontrar o endereço da mãe da Andréia, porém não encontraram nada referente ao pai pois o mesmo já tinha falecido. A secretária de Sarandi passou um número de telefone que havia no cadastro de dona Nardina e chegou no CAIS de Chapada. Falando com as atendentes do CAIS, Luciana teve a informação de que a mãe de Andréia estava viva e que a agente de saúde que atende a área dela iria ajudar.

 

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A partir de então, a agente de saúde Clair Blank passou a intermediar este reencontro. No dia 25 de fevereiro, Clair foi até a casa de dona Nardina e perguntou se ela tinha uma filha chamada Andréia, então Nardina contou toda a sua história e naquele mesmo dia, às 3 horas da tarde mãe e filha tiveram o seu primeiro contato por telefone.

Através do facebook mãe e filha puderam se ver por fotos. E no sábado, 11 de março, finalmente mãe e filha reencontraram-se após tanto tempo. Foi questão de duas semanas para que Luciana e Andréia viessem para Chapada.

Nardina sempre teve a vontade de encontrar a filha, perguntava aos seus outros filhos se tinham notícias de Andréia, entretanto não tinha informações e já estava sem esperança. Andréia também sempre sonhou em rever a sua família, porém as suas condições a impossibilitaram de procurar seus familiares.

No Rio, Andréia conheceu o marido e teve dois filhos, Maico de 26 anos e Natália de 22 anos. Andréia finalizou agradecendo:

“Só agradeço à Deus por tudo, porque só Ele, só Deus em nossa vida”. Agora, para Andréia é vida nova, pode visitar a mãe sempre que quiser.

Muitas pessoas se envolveram a contribuíram para que este reencontro acontecesse.

FONTE/FOTOS: Jornal ABCNotícias